Cheguei do cursinho com a mesma ideia que passou o dia em minha cabeça e cá estou, ainda às voltas de escrever-te um soneto. Tudo seria mais fácil se eu fosse Pablo Neruda, mas se eu escrevesse 100 sonetos de amor, todo e cada um deles seria dedicado a ti. Como não sou, estar diante dessa tela em branco, com apenas um teclado e meus dedos para traduzir minhas emoções, tudo parece tão difícil.
Pessoa disse que o poeta é um fingidor, mas não é fingimento meu o que te escrevo. Tudo é muito novo, eu sei. Confusão. Emaranhado de sentimentos. Ao mesmo tempo que quero que tudo dê certo, tenho medo, medo de mais uma vez me entregar demais e acabar largado em algum canto da vida, chorando minhas dores.
Acho que o que me faz querer tanto que tudo dê certo é o fato de vc ser tão especial. Não é como todo mundo. Isso me amedronta tambem, pois muitas vezes sinto que não estou nem perto de estar à tua altura, com tantos e tantos defeitos...mas meu desejo é mais forte que isso.
Disseste ontem que eu devia ter cuidado porque vocé não cai no vestibular...infelizmente, você seria uma matéria à qual eu me dedicaria a estudar com mais afinco que qualquer coisa que ja fiz na vida, mesmo sabendo que não conseguiria entender-te um quinto. Mas não é preciso ter essa preocupação, eu aprendi a separar as coisas e apesar da vontade louca que tenho de sentir teu cheiro e tocar tua pele, minha mente se divide.
No mais, perdoe-me a falta de talento pra escrever algo digno de ti e perdoe-me as breguices eventualmente cometidas. Um dia te escrevo um soneto. Soneto para Ev, e prometo que será lindo. Talvez ainda não tenha chegado a hora certa.